Geral Alagoas
Escuta, acolhimento e proteção: o papel do Centro Especializado Jarede Viana na vida de mulheres alagoanas
Equipe multidisciplinar atua no apoio psicológico, jurídico e social de vítimas da violência de gênero
18/06/2026 16h42
Por: Redação Fonte: Secom Alagoas
Maria Luiza Lúcio/Ascom Semu

A porta de entrada do Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam) Jarede Viana é a escuta qualificada. O atendimento começa assim que a mulher chega ao local. Inicialmente, ela passa por uma triagem, na qual são coletadas informações para a abertura do prontuário. Em seguida, é acolhida pela equipe multidisciplinar, formada por cinco psicólogas, uma assistente social e uma advogada, que avaliam cada situação para realizarem os encaminhamentos necessários.

O Ceam atende mulheres vítimas de todos os tipos de violência de gênero, oferecendo acompanhamento psicológico, orientação e encaminhamento jurídico, além do acesso à rede socioassistencial e de saúdem, quando necessário. Nos casos que não envolvem violência doméstica, a equipe também orienta e encaminha a mulher para os órgãos mais adequados da rede de proteção.

De acordo com a coordenadora da unidade, Christiane Omena, muitas mulheres chegam ao Ceam em busca de acolhimento especializado e segurança necessária para dar continuidade à denúncia formal e romper o ciclo da violência. "O atendimento psicológico e os esclarecimentos jurídicos ajudam a fortalecer essas mulheres para que elas possam seguir com o processo e buscar seus direitos", explica.

Para mulheres que vivem uma situação de violência e ainda não sabem como buscar ajuda, a orientação da coordenadora é procurar alguém de confiança e buscar apoio em órgãos especializados, como o próprio Ceam ou a Delegacia da Mulher. "O primeiro passo é não enfrentar essa situação sozinha. Existe uma rede preparada para acolher, orientar e acompanhar essas mulheres durante todo o processo", destaca.

Apoio psicológico

Além do suporte jurídico e social, o atendimento psicológico é uma das principais ferramentas de acolhimento oferecidas pelo Ceam. Segundo a psicóloga da unidade, Tatyanne Barreto, o trabalho começa pela escuta atenta e sem julgamentos, criando um espaço seguro para que a mulher possa falar sobre sua vivência e compreender a situação que enfrenta.

Segundo a profissional, muitas mulheres chegam ao serviço emocionalmente fragilizadas e, por vezes, sem conseguir identificar a violência sofrida ou visualizar caminhos para romper esse ciclo. Nesse contexto, o acompanhamento psicológico busca promover a compreensão da violência de gênero, fortalecer a autoestima e contribuir para que a mulher recupere sua autonomia e segurança para tomar decisões sobre sua própria vida.

A psicóloga esclarece que os impactos emocionais provocados pela violência podem variar de acordo com a história de cada mulher, mas quadros de ansiedade, depressão e síndrome do pânico estão entre os mais frequentes observados pela equipe. Por isso, o atendimento oferecido pelo Ceam vai além do acolhimento inicial. As assistidas podem contar com acompanhamento psicológico continuado, voltado ao enfrentamento das consequências emocionais causadas pela violência.

Sobre o trabalho integrado, Tatyanne explica que a psicologia, a assistência social e o atendimento jurídico atuam de maneira interdisciplinar, compartilhando estratégias e encaminhamentos para garantir um atendimento adequado às necessidades de cada caso.

O acesso ao acompanhamento psicológico pode acontecer tanto por procura espontânea quanto por encaminhamento de serviços que integram a rede de enfrentamento à violência contra a mulher. Após o agendamento, a assistida passa pelo acolhimento e inicia o acompanhamento junto à equipe especializada do Ceam.

Buscar proteção e seguir em frente

O atendimento jurídico é outro pilar fundamental da atuação do Ceam. Mais do que orientar sobre processos e encaminhamentos, o trabalho da equipe busca garantir que as mulheres compreendam seus direitos e se sintam amparadas durante todo o processo de enfrentamento à violência.

Segundo a advogada Beatriz Vasco, a atuação jurídica começa ainda no acolhimento inicial, realizado em conjunto com a psicóloga e a assistente social. Durante a escuta da mulher, a profissional identifica possíveis demandas jurídicas e esclarece dúvidas sobre direitos que, muitas vezes, a assistida sequer sabe que possui. A partir dessa análise, são realizados encaminhamentos para órgãos como a Defensoria Pública, Delegacia da Mulher e outros serviços da rede de proteção.

Entre as dúvidas mais frequentes estão os desdobramentos após o registro do boletim de ocorrência, o funcionamento das medidas protetivas e o andamento dos processos judiciais. "Muitas mulheres chegam ao Ceam sem saber quais são seus direitos ou quais caminhos precisam percorrer para acessá-los. Existe um cenário de desinformação e, muitas vezes, de receio em relação ao sistema de justiça", explica a advogada.

Além dos encaminhamentos formais, o acompanhamento jurídico também inclui orientações contínuas sobre audiências, medidas protetivas, processos de divórcio, pensão alimentícia e outras demandas que surgem ao longo do atendimento. Mesmo após o acolhimento inicial, muitas mulheres mantêm contato com o Ceam para esclarecer dúvidas ou buscar novos encaminhamentos, fortalecendo o vínculo com a rede de proteção.

Para Beatriz, compreender os próprios direitos é um passo importante para romper o ciclo da violência. "Quando a mulher entende que está amparada pela lei e pelas instituições, ela se sente mais fortalecida para buscar proteção e seguir em frente", afirma.

A advogada destaca ainda que o atendimento jurídico humanizado é essencial para acolher mulheres que chegam ao serviço em situação de vulnerabilidade. Mais do que explicar procedimentos legais, o objetivo é oferecer informações de forma acessível, respeitosa e acolhedora, garantindo que cada mulher compreenda seus direitos e encontre os caminhos necessários para reconstruir sua autonomia e segurança.

Atuação integrada e outros projetos

O Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam) Jarede Viana foi reinaugurado no último dia 10, passando a contar com uma estrutura mais adequada para o atendimento às mulheres. O espaço dispõe de salas que garantem privacidade durante os atendimentos e também de um ambiente infantil, implantado em parceria com a Secretaria de Estado da Primeira Infância de Alagoas (Secria), destinado a crianças que acompanham as mães durante o acolhimento.

Além do atendimento direto, o Ceam atua de forma integrada com outros serviços. Os encaminhamentos são realizados tanto por meio de documentos entregues às assistidas quanto por articulação institucional com os órgãos da rede de proteção. Essa atuação conjunta garante que as mulheres tenham acesso aos diversos serviços necessários para sua segurança, autonomia e reconstrução de vida.

A prevenção à violência também faz parte do trabalho desenvolvido pela unidade. Entre as ações está o Cine Ceam, projeto que utiliza o cinema como ferramenta de reflexão e sensibilização sobre temas como machismo, misoginia e violência de gênero.

O equipamento também desenvolve o projeto Dia Delas, realizado junto às mulheres privadas de liberdade, com oferta de atendimentos de saúde, exames, vacinação, orientação e serviços voltados ao fortalecimento da autoestima. Já o Dia das Guardiãs Delas é direcionado às policiais penais que atuam nas unidades femininas, oferecendo atividades de cuidado, saúde e bem-estar.

Além disso, o Ceam promove palestras, oficinas e atividades educativas sobre a Lei Maria da Penha e o enfrentamento à violência contra as mulheres, fortalecendo a conscientização e a prevenção em diferentes espaços da sociedade.

Serviço:

Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam) Jarede Viana

Endereço: Avenida Gustavo Paiva, nº 3298, Mangabeiras - Maceió/AL

Funcionamento: segunda a sexta-feira, das 9h às 16h.

Contato: (82) 3315-1740 | 82 98867-6434

E-mail: ceam.semu.al@gmail.com