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Investigação aponta suposto esquema de superfaturamento em contratos de artistas pagos com recursos públicos na Bahia
A apuração teve como base mais de uma década de relatórios do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA)
18/06/2026 08h53
Por: Redação Fonte: https://viannarotadanoticia.com.br/
Foto: Divulgação

Uma investigação divulgada pela TV Bahia revelou indícios de um suposto esquema de superfaturamento de cachês de artistas contratados com recursos públicos no estado da Bahia. De acordo com a reportagem, as irregularidades teriam ocorrido entre os anos de 2015 e 2024 e envolveriam produtoras de eventos, pessoas apontadas como "laranjas" e gestores ligados à área de turismo estadual.
A apuração teve como base mais de uma década de relatórios do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA), além da análise de centenas de notas fiscais relacionadas a contratações artísticas financiadas pelo poder público.
Entre os citados na reportagem está o ex-diretor da Superintendência de Fomento ao Turismo da Bahia (Sufotur), Diogo Medrado. Em entrevista, ele negou qualquer irregularidade nas contratações realizadas durante sua gestão à frente do órgão, vinculado à Secretaria de Turismo da Bahia (Setur).
Os dados apresentados mostram um crescimento expressivo dos recursos administrados pela Sufotur nos últimos anos. O orçamento da autarquia, que era de R$ 79 milhões em 2019, saltou para R$ 623 milhões em 2024, representando um aumento de quase 700%. Somados, os desembolsos realizados até 2026 alcançam a marca de R$ 1,84 bilhão.
A investigação também identificou 641 pagamentos efetuados entre os anos de 2023 e 2025 para quatro produtoras de eventos, totalizando aproximadamente R$ 58 milhões. As empresas mencionadas são Brilho Estrelar Produções Artísticas Ltda, Estrelar Produções e Serviços Eireli, Tamy Produções Artísticas e Serviços Ltda e Nível Dez Produções Artísticas e Serviços Ltda.
Segundo a reportagem, algumas dessas empresas apresentariam características consideradas suspeitas pelos investigadores, como compartilhamento de endereço comercial, utilização do mesmo e-mail de contato e vínculos familiares entre os responsáveis. Em determinados casos, os endereços informados não corresponderiam a estruturas empresariais compatíveis com o elevado volume de recursos movimentados.
Um dos momentos mais impactantes da investigação ocorreu quando Alexsandro Sampaio, apontado como responsável pela Nível Dez Produções, teria admitido a existência do esquema sem saber que estava sendo gravado pela equipe de reportagem. Conforme divulgado, ele trabalha como office boy, enquanto sua esposa, identificada como proprietária da Estrelar Produções, atua como secretária. O casal reside no bairro de Fazenda Grande, em Salvador.
As denúncias agora podem servir de base para aprofundamento das investigações por órgãos de controle e fiscalização. Caberá às autoridades competentes apurar eventuais responsabilidades civis, administrativas e criminais dos envolvidos, garantindo o direito à ampla defesa e ao contraditório.
O caso ganhou grande repercussão em todo o estado e deve continuar sendo acompanhado de perto pela sociedade e pelos órgãos fiscalizadores, diante do elevado volume de recursos públicos envolvidos.